15 setembro, 2013

UMA NOITE MAL DORMIDA

Depois do episódio de ontem, fui o mais prática possível e baixei o volume do queixume ao mínimo. É uma entorse, nada mais! Isto foi durante o dia mas, à noite, esperava-me outro cenário.

Local do sonho: Rio de Janeiro;
Objectivo: voo de parapente.

Todos saltavam e eu continuava na rampa. Não compreendia porquê e não conseguia ver o meu corpo. De repente fiquei só, no topo, com a cidade aos meus pés e refém de mim mesma. Após alguns desenvolvimentos compreendi que nunca mais poderia fazer desporto, que engordaria tudo o que havia para engordar - uma morte lenta - e, a determinado ponto, a anorexia seria o meu escape.

Na minha vida sempre tive e fiz questão de desenvolver ferramentas para saber lidar e incorporar os aspectos negativos da vida mas, desta vez, não tinha conseguido. 

Confesso que acordei enjoada (e até rabugenta) com todo o #drama e, quando olhei para o pé, estava normal. Ouviste cérebro? Dorido, é certo, mas o expectável. Numa tour pela casa - apenas uma porque não quero esforçar demasiado - fiz um batido super nutritivo e fui buscar um saco de gelo para o dia 2. De volta à realidade prática e até já pensei em exercícios para os braços e abs. Não sei se terei paciência de concretizá-los , é certo, mas é a minha forma de superar as coisas: há sempre uma solução, há sempre um caminho.

14 setembro, 2013

O DELAY DA SEXTA-FEIRA 13!

Lembram-se quando disse que, em termos de lesões, a coisa que tinha mais medo era de torcer o pé? 

Guess what...

Adoro ir ao gym aos sábados de manhã, começar o fim-de-semana cheia de energia e super relaxada do yoga. Primeira aula? Cardio! É das poucas com coreografia que eu retiro prazer e é óptima para trabalhar o corpo todo. O que não estava à espera era da multidão pós-férias e iniciados... Sala cooompletamente a abarrotar e como cheguei tarde fiquei na última fila - coisa que normalmente agradeço. 

À minha frente, uma miúda nova, ao meu lado direito também. Mas tudo bem, desde que cada uma entre na onda e dê espaço, tudo se concretiza, ou pensava eu. Nem 5 minutos depois do início, faço um duplo salto para a direita mas o mesmo não aconteceu com a rapariga da direita. Ao assentar o pé direito, sinto-o a quebrar totalmente em cima de um pé alheio. 

Bolas! Tinha acontecido! Todos aqueles momentos na corrida em que visualizo uma possível queda e previno-a. Desta não estava à espera. E também não estava à espera que a miúda da frente caísse em cima de mim porque estava totalmente alheia ao que tinha ocorrido e estava preocupada em seguir a coreografia. Isto tudo durou 5 segundos. Levantei-me e saí da aula. O dia tinha acabado ali. 

O que vale é que a Sofia L. trouxe-me de carro até casa - life saving moment! Depois só tive que subir 4 andares sem elevador e no conforto aqui jazo. 

Agora estou a ser minuciosamente cuidadosa com o pé: colocar muito gelo e tomar drogas para ajudar o processo. A ideia de não poder fazer nada nos próximos dias é-me profundamente aborrecida... LOGO AGORA QUE TINHA PERDIDO O PESO DAS FÉRIAS! 

Lesões de guerra fazem parte, só espero é que esta não dure para sempre e arruíne o meu amor visceral, a corrida.


06 setembro, 2013

O DRAMA. O HORROR. A TRAGÉDIA.

Depois de uma belas semanas de férias o meu corpo decidiu que já estava na hora de voltar ao trabalho. Bom, na verdade foi a balança - but who cares. Após ter-me pesado em algumas balanças por este país fora (consciência pesada leva a isso), decidi que na segunda-feira iria voltar à realidade numa balança fidedigna. A palpitação cardíaca aumentou quando estava prestes a subir... E o cenário provável aconteceu: mais 4 quilos. 4??!?! Senti que merecia condolências. 


1. NEGAÇÃO - Esta balança não pode estar bem. Não pode. Desde quando é que as farmácias têm boas balanças? Que desperdício de 50 cêntimos. 


2. RAIVA - LOSER! LO-LO-LO-LO-SER! "Ai, olha para mim, fui de férias e comi imensos doces e consigo contar quantas vezes calcei os ténis num espaço de semanas" Voi lá, feliz com o resultado?!?! L!


3. NEGOCIAÇÃO - Prometo que vou voltar a comer sem aqueles pequenos excessos diários (esse veneno disfarçado) e que farei exercício todos os dias. Todos! Olha para mim a sair a correr da farmácia. Olha!


4. DEPRESSÃO - Bolas. Quatro quilos. Quatro. É desta que perco o rumo. Eu sabia que um dia ia acontecer isto. Não sou feita para ser como era. Adeus corpo. Adeus ginásio. Adeus corrida. Até sempre. 


5. EUREKA/ACEITAÇÃO - Pst, pst, já te vitimaste o suficiente ou ainda queres mais espaço? Please, quem perde 12 quilos em 4 meses, não perde esses míseros 4? Foste de férias, comeste de forma razoável e apimentaste os momentos mortos com coisas doces. Bu-uh! A tua vida acabou, que comece a música fúnebre... A verdade é que tu não precisas de planos rígidos ou dietas malucas, tu és naturalmente assim: metabolismo um pouco lento mas quando trabalhas esses músculos, ninguém te pára. VAIS CORRER UMA MARATONA! Conheces muitas pessoas que façam isso? Não!! Então cala-te e work it off!

E 4 dias depois do dia fatídico já perdi quase 2 quilos. Tudo pontuado com exercício físico diário e uma boa alimentação - mmmm, ok, tirando uma ou outra refeição mas gosto de ser exigente q.b. É importante dizer que esses cinco estádios demoraram alguns minutos e nada como uma aula de trx de 50 minutos  com uma instrutora nazi (descrito de forma hilariante por Sofia L.) para fazer-me sentir invencível. 

24 agosto, 2013

É OU NÃO É PURO AMOR?

Quem diria que, após a minha aterragem em Lisboa, o primeiro destino seria a aula de Bunda? O chato foi ter lá chegado atrasada e o único lugar vago ser mesmo em frente à instrutora. Todos os exercícios foram feitos com a profunda noção que tinha uma plateia de mulheres a olhar não directamente para mim, mas quase. Que pressão! Como a minha presença deixou de ser assídua há exactamente duas semanas, foi o suficiente para hoje acordar completamente moída.

Estar moída + cheia-de-sono, resultou na sabotagem do meu plano que passava por três aulas seguidas. Felizmente, por volta do meio-dia, consegui arrastar-me para a minha favorita: o yoga. "Bem-vinda, menina das corridas", recebe-me a instrutora que não decora nomes de ninguém, apenas de quem os partilha com os seus familiares. Confesso que antes me irritava um pouco mas agora até acho cool. Continuo a ser anónima entre os pares do ginásio (coisa que faço questão) mas tenho uma imagem de marca. Embora a aula tivesse sido um pouco difícil devido a toda uma extensão de posições piramidais, saí de lá relaxada e serena. Missão cumprida!

Ou talvez ainda não. Hoje à tarde não resisti e calcei os ténis para uma bela corrida. Voltar ao meu elemento é um conforto inexplicável - conhecer todas as estradas, as suas inclinações e onde não colocar o pé com risco de entorse (sim, durante toda a corrida fico um bocado obcecada com tal perspectiva hedionda). Estava um vento profundamente agradável, a música foi uma óptima companhia e o resultado foi este:



908 calorias? 908 CALORIAS? Para além de ter corrido com facilidade estes 12km, ainda tenho a bonança de ter perdido 908 calorias? A corrida é ou não é puro amor?

19 agosto, 2013

CHALLENGE ACCEPTED!

Uma das formas mais eficientes de motivação no meu dia-a-dia é sem dúvida a superação. Fazer algo maior, diferente e memorável tem de fazer parte do meu treino. Não é em vão que o meu próximo Everest será a maratona. Só de pensar nisso fico com o estômago às voltas, é verdade, mas tenho um ano de preparação pela frente e muitas metas a superar.
 
Hoje fiz algo inovador: corri da minha casa até ao centro do Funchal. Não sabia quanto tempo iria demorar, quantos quilómetros faria mas estava absolutamente certa que conseguiria fazê-lo, demorasse o tempo que demorasse. Olhando para traz compreendo que é essa paciência e confiança que me permitem dar aquele passo maior.
 
Antes de calçar os ténis a preguiça foi profundamente sedutora "estás de férias por isso volta para a cama... Compensas depois." Cedi por uns minutos mas, passo a passo, preparei-me para sair e quando bati com a porta sabia que era tudo o que precisava - uma nano aventura.  
 
 
No final do primeiro quilómetro tirei a fotografia para assinalar a minha meta: a marina do Funchal. Let's go! A música estava com óptimos timmings, Kanye West a dar o beet, Rudimental a fazer-me acelerar o passo e tudo com muito cuidado para não ser atropelada. Grande parte do caminho foi feito no alcatrão e até cheguei a passar por uma estrada que, ao mínimo descuido, podia ditar uma queda de dezenas de metros. Aí desliguei a música e fui ouvindo o trânsito.
 
Para minha surpresa cheguei ao fim de 3km. "Só isto?? Bolas!" Queria que se tivesse prolongado muito mais por isso comecei às voltas pela cidade e parei na minha meta para uma fotografia.
 

 
 
Ao fim de 6km ponderei se conseguiria voltar para casa a correr mas, o que se fez de forma muito fácil a descer, podia significar o puro inferno na terra a subir. Fiquei-me pela fantástica mudança de percepção de distâncias que tive toda a minha vida e, da próxima vez, descerei de um pico ainda mais alto. O Haruki Murakami treina para as suas maratonas no Hawai, eu tenho a Madeira.
 
 
 
 

18 agosto, 2013

FÉRIAS MUSCULARES

Nestas férias bateram-se recordes: não faço exercício há quatro dias. O sentimento de culpa existe mas não o suficiente para fazer alguma coisa pois o meu mote é: não abuses mas não te leves tão a sério - ennnjoooyyy!

As refeições estão bem posicionadas na roda dos alimentos, excepto uma fuga familiar à gastronomia local. Conhecem o prato típico chamado "Picado"? Ora muito bem, para quem não sabe é algo extremamente simples mas eficaz: batatas fritas (e estas tinham oregãos), carne de vaca aos cubos envolta num molho fantástico e salada. Mentira: quatro rodelas de tomate. Acreditem, it's to die for! Colocava aqui uma bela fotografia mas não quero que isto se torne num blogue de food porn.

O problema tem sido as ideias da minha irmã e a minha incapacidade em dizer-lhe não. Muffins de nutela caseiros? Check! Waffles acabadas de fazer? Check! Batatas fritas de pacote? Check! Gelados? Check and check! A minha única tentativa na área das gulodices passou por fazer um pão de cereais e banana e... Bom. Passadas 8h o pão está quase intacto. A receita não acertou mas sei que o meu corpo agradece... Como também agradeceu todos os doces, acreditem!

Para compensar estes maravilhosos dias, a estrada estará à minha espera daqui a umas horas e eu, finalmente, não vejo a hora de revê-la! 



14 agosto, 2013

SOZINHA vs ACOMPANHADA

A corrida é um momento de pura paz de espírito, de libertar pressão, de gritar ao mundo ou simplesmente de não pensar em nada e dançar ao ritmo das músicas. É um escape. O meu escape. Quando estou muito stressada ou irritada, as pessoas mais próximas tendem a dizer: "vai correr". É a minha panaceia

Como estou de férias com a família, faço questão de passar o máximo de tempo possível com eles, logo, quando corro, vou com o meu pai. Não me interpretem mal, adoro correr com ele, é um momento extremamente precioso e único, mas dou por mim a pensar que preciso daquele escape.